Kino: O Tesouro Dourado da África com Sabor de Maracujá e Melão
Há frutas que parecem ter saído de um conto antigo, e o Kino (Cucumis metuliferus), também conhecido como pepino africano ou melão espinhoso, é uma delas.
Originário das terras quentes da África Subsaariana, ele guarda em sua casca alaranjada e coberta de espinhos macios um segredo dourado: uma polpa verde translúcida, refrescante e doce, com sabor que mistura maracujá, melão e um toque de limão selvagem.
Nos mercados africanos, o kino é tratado como fruta de realeza — símbolo de vitalidade e prosperidade. E não é à toa: além do sabor exótico, ele carrega uma energia vibrante, capaz de despertar o corpo e alegrar o espírito. No Brasil, tem conquistado quem busca alimentos diferentes e nutritivos, com aquele encanto das frutas que contam histórias de longe.
Um toque de ancestralidade
Os povos bantos e zulus, há séculos, conhecem o poder do kino.
Eles o utilizavam não só como alimento, mas como presente de boas-vindas, pois acreditavam que seu brilho alaranjado atraía prosperidade, saúde e coragem. Comer kino era mais do que se nutrir: era honrar o sol e agradecer à terra por seus frutos.

Essa sabedoria atravessou oceanos. Hoje, o kino ainda carrega essa aura solar — um lembrete de que a natureza guarda, em suas formas mais curiosas, a energia que nos reconecta à vida.
Valor nutricional do kino
O kino é leve, mas riquíssimo em nutrientes. Em 100 g de polpa, encontramos:
- 44 calorias
- 1,8 g de proteína
- 10 g de carboidratos
- 2 g de fibra alimentar
- Vitamina C – reforça o sistema imunológico
- Vitamina A (betacaroteno) – essencial para a visão e regeneração celular
- Minerais como magnésio, ferro, cálcio e potássio
Além disso, o kino é rico em água e antioxidantes, sendo ideal para hidratar o corpo e manter a pele luminosa — por dentro e por fora.
Principais benefícios do kino
- Fortalece a imunidade: graças à vitamina C, ajuda o corpo a combater infecções e cansaço.
- Embeleza a pele: o betacaroteno e os antioxidantes mantêm o brilho natural e retardam o envelhecimento.
- Favorece a digestão: leve e rico em fibras, é perfeito após refeições pesadas.
- Hidrata profundamente: composto por mais de 80% de água, ajuda o corpo a se manter fresco em dias quentes.
- Energia vital: repleto de minerais, equilibra corpo e mente, sendo ótimo para quem busca leveza e disposição.
Dica da Jheniffe: quem come kino geladinho, logo pela manhã, sente uma energia diferente — é como se a luz do sol atravessasse o corpo por dentro.
Como consumir o kino
O kino é uma fruta versátil e curiosa: sua aparência espinhosa pode assustar à primeira vista, mas basta cortá-lo ao meio para revelar um interior de cor verde-esmeralda, com aroma fresco e tropical.
Você pode consumir:
- In natura: basta cortar e comer a polpa com uma colher.
- Em sucos e smoothies: combina com maracujá, abacaxi ou manga.
- Em saladas tropicais: adiciona frescor e cor vibrante.
- Como decoração de pratos: sua beleza exótica encanta em sobremesas e coquetéis.
- Em geleias artesanais: para realçar o sabor agridoce e aromático.
Como plantar kino
Plantar kino é uma experiência encantadora — quase um ato de descoberta. Ele é da família do pepino e do melão, por isso gosta de clima quente, sol pleno e solo fértil.
- Sementes: retire da polpa e lave bem. Deixe secar por 24 horas antes de plantar.
- Solo: leve, arenoso e rico em matéria orgânica.
- Plantio: plante as sementes a 2 cm de profundidade.
- Rega: mantenha o solo úmido, mas sem encharcar.
- Luminosidade: precisa de sol direto por pelo menos 6 horas por dia.
- Colheita: ocorre entre 90 e 120 dias após o plantio, quando a casca fica laranja viva e firme ao toque.
Curiosidade ancestral: em algumas aldeias africanas, acredita-se que plantar kino no quintal atrai alegria e prosperidade para a casa.
Kino pelo mundo
Hoje, o kino é cultivado na Nova Zelândia, Chile e Brasil, em pequenas plantações experimentais.
No exterior, é conhecido como Kiwano, nome comercial dado pelos neozelandeses. Mesmo distante da África, o kino continua sendo um símbolo de resistência, beleza e fartura tropical.
Perguntas frequentes
Kino engorda?
Não. É uma fruta leve e com baixo teor calórico.
Pode comer as sementes?
Sim, são pequenas e comestíveis, além de conter fibras.
É fácil de plantar?
Sim, em regiões quentes e com boa luminosidade.
Onde encontrar no Brasil?
Em feiras de frutas exóticas, empórios naturais e alguns supermercados gourmet.
Receitas com KINO
🍹 1. Suco Refrescante de Kino com Gengibre e Mel
Ingredientes:
- 2 frutos de kino maduros
- 1 colher (chá) de gengibre ralado
- 1 colher (sopa) de mel
- 200 ml de água gelada
Modo de preparo:
Corte o kino ao meio e retire a polpa com uma colher. Bata tudo no liquidificador, coe se quiser um sabor mais suave e sirva gelado.
Esse suco é um elixir natural — revigora o corpo, aquece o estômago e desperta a energia vital.
🍨 2. Sorbet de Kino e Limão Siciliano
Ingredientes:
- Polpa de 3 frutos de kino
- Suco de 1 limão siciliano
- 1/2 xícara de açúcar demerara
- 1 xícara de água
Modo de preparo:
Leve ao fogo o açúcar e a água até formar uma calda leve. Espere esfriar e misture com o suco e a polpa do kino.
Bata no liquidificador e leve ao freezer, mexendo a cada hora até firmar.
O resultado é um sorbet leve e vibrante, perfeito para dias quentes — com acidez sutil e perfume de flores.
🥗 3. Salada Tropical com Kino, Manga e Hortelã
Ingredientes:
- 1 kino maduro
- 1 manga pequena
- Folhas de hortelã fresca
- Suco de meio limão
- Fio de azeite e pitada de sal rosa
Modo de preparo:
Misture tudo e sirva como entrada ou acompanhamento.
É uma salada solar, cheia de cor, vida e sabor. A doçura da manga equilibra o toque ácido do kino, e a hortelã traz frescor ancestral — lembrando as ervas dos jardins africanos.
Conclusão
O Kino é mais que uma fruta exótica — é um presente ancestral que atravessou continentes levando beleza, sabor e energia solar.
Em cada mordida, há um toque de maracujá e melão, uma leveza que desperta e uma doçura que conforta.
Provar o kino é como beber um gole de sol: suave, vibrante e cheio de vida. 🌿
Leia Mais:
Referências
- Morton, J. (1987). Fruits of Warm Climates. Julia F. Morton, Miami, FL.
- FAO – Food and Agriculture Organization of the United Nations. Cucumis metuliferus: African horned melon.
- Njoroge, G. N., & Newton, L. E. (1994). Ethnobotanical uses of Cucumis metuliferus in East Africa. Journal of Ethnopharmacology.
- Pacheco, R. R., & Lemos, T. L. G. (2019). Frutas exóticas e o futuro da alimentação tropical. Revista Ciência Agronômica, 50(2).
- Silva, E. M., & Carvalho, A. P. (2022). Compostos bioativos em frutos tropicais e exóticos. Brazilian Journal of Food Research, 13(3), 150–170.



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