Compota de Bacuri: o sabor da floresta amazônica em cada colherada
A compota de bacuri é uma iguaria típica do Norte e Nordeste do Brasil, uma forma doce e artesanal de preservar o sabor intenso dessa fruta amazônica tão especial.
De polpa cremosa e perfume marcante, o bacuri conquista à primeira prova com seu toque doce e levemente ácido, lembrando o equilíbrio entre manga e maracujá.
Além do sabor exótico, o bacuri (Platonia insignis) é uma fruta rica em vitaminas A, C, ferro e cálcio, além de conter antioxidantes naturais que fortalecem o corpo e a pele.
Nesta receita, você vai aprender como preparar a compota de bacuri passo a passo, conhecer seus benefícios, variações, formas de conservar e usos culinários — tudo com aquele toque de tradição que atravessa gerações.
Benefícios do bacuri
O bacuri é muito mais do que uma fruta deliciosa — é uma joia nutricional da floresta tropical:
- Rico em vitamina C: fortalece o sistema imunológico e ajuda na produção de colágeno.
- Fonte de vitamina A: essencial para a visão e regeneração da pele.
- Contém ferro e cálcio: contribui para a saúde dos ossos e para prevenir anemia.
- Ação antioxidante: combate radicais livres, ajudando no rejuvenescimento celular.
- Energia natural: sua polpa é rica em carboidratos de fácil digestão, ótima para dias ativos.
Pesquisas realizadas pela Embrapa Amazônia Oriental e pela Universidade Federal do Pará (UFPA) apontam que o bacuri é uma das frutas com maior potencial nutricional da região amazônica, sendo usado tanto na culinária quanto na cosmética natural.
Ingredientes necessários
Para preparar uma deliciosa compota de bacuri, você vai precisar de:
- 2 xícaras de polpa de bacuri (fresca ou congelada)
- 1 xícara de açúcar cristal (ajuste conforme o gosto)
- 1/2 xícara de água filtrada
- Suco de meio limão (para equilibrar o sabor e conservar)
- Opcional: cravo-da-índia ou canela em pau, para um toque aromático
💡 Dica: o bacuri é naturalmente ácido; se quiser um sabor mais suave, adicione um pouco mais de açúcar ou uma pitada de canela.
Passo a passo para preparar a compota de bacuri
1. Preparando a fruta
- Retire a polpa do bacuri, separando das sementes.
- Se estiver usando polpa congelada, descongele completamente antes do preparo.
- Para intensificar o sabor, você pode deixar a polpa descansar por 10 minutos com o açúcar antes de levar ao fogo.
2. Cozinhando a compota
- Em uma panela de fundo grosso, coloque a polpa, o açúcar e a água.
- Leve ao fogo médio, mexendo até o açúcar se dissolver.
- Adicione o suco de limão e, se desejar, as especiarias.
- Cozinhe por cerca de 25 a 30 minutos, mexendo ocasionalmente.
💡 Dica ancestral: as antigas doceiras da Amazônia diziam que o segredo é “mexer com paciência e colher de pau”, para que a compota não grude nem perca o brilho.
3. Ponto da compota
- A compota estará pronta quando atingir textura espessa, mas ainda cremosa.
- O ponto ideal é quando, ao passar a colher no fundo da panela, a mistura se separa levemente antes de voltar a se unir.
4. Armazenamento
- Transfira a compota quente para potes de vidro esterilizados.
- Feche bem e deixe esfriar em temperatura ambiente.
- Guarde na geladeira por até 3 semanas.
💡 Para conservar por mais tempo, use o método de banho-maria e mantenha o pote fechado a vácuo por até 3 meses.
Dicas para uma compota perfeita
- Prefira bacuris maduros, de casca amarelada e aroma forte.
- Não cozinhe em fogo alto — isso pode caramelizar demais e mascarar o sabor da fruta.
- Adicione uma colher de mel de abelha no final do cozimento para realçar o sabor e dar brilho.
- Experimente fazer uma versão com açúcar mascavo, para um toque mais rústico e aromático.
Variações da compota de bacuri
- Bacuri com coco: adicione lascas de coco fresco nos últimos minutos do cozimento.
- Bacuri com maracujá: cria um sabor agridoce e perfumado.
- Compota de bacuri diet: substitua o açúcar por adoçante culinário.
- Bacuri com especiarias amazônicas: cravo, canela e noz-moscada trazem aroma intenso e sabor ancestral.
Como conservar e prolongar a durabilidade
- Use potes esterilizados e evite contato com utensílios úmidos.
- Armazene em local fresco e sem incidência direta de luz.
- Após aberto, mantenha sempre refrigerado.
- Para maior durabilidade, utilize o banho-maria e verifique se a tampa está bem vedada.
Usos culinários da compota de bacuri
A compota é extremamente versátil e pode ser usada de várias formas:
- Sobremesas: cobertura de bolos, cheesecakes, pavês e tortas.
- Café da manhã: com pães, tapiocas e torradas.
- Pratos salgados: acompanha queijos brancos e carnes grelhadas.
- Bebidas: combina com drinks tropicais e iogurtes.
💡 Sugestão Lar de Hera: sirva a compota de bacuri com bolo de mandioca ou pão de milho quente — a combinação é pura memória afetiva do Norte.
Curiosidades sobre o bacuri
- O nome “bacuri” vem do tupi “ïwákury”, que significa “fruto que gruda”, referência à polpa espessa.
- É símbolo da Amazônia, amplamente usado em doces típicos do Pará e do Maranhão.
- O óleo extraído da casca é utilizado na medicina popular para cicatrização e hidratação da pele.
- O bacurizeiro pode viver mais de 70 anos e produzir até 400 frutos por safra.
- É tão valorizado que, em feiras amazônicas, seu preço costuma ser o dobro das frutas comuns.
Benefícios adicionais da compota caseira
- Permite controlar o açúcar e evitar conservantes artificiais.
- Aproveita frutas maduras, evitando desperdício.
- Valoriza ingredientes regionais e mantém tradições culinárias.
- Pode ser um presente artesanal cheio de afeto e sabor.
Conclusão
Fazer compota de bacuri em casa é um gesto de carinho e ancestralidade.
Com ingredientes simples e um toque de paciência, você preserva o sabor da floresta amazônica e leva à mesa uma receita rica em história, nutrientes e afeto.
Leia Mais:
Referências
- Embrapa Amazônia Oriental. Frutas nativas da Amazônia: potencial nutricional e uso sustentável (2020).
- Universidade Federal do Pará (UFPA). Propriedades bioativas do bacuri (Platonia insignis), Revista de Ciências da Amazônia, 2021.
- Silva, M. C. & Costa, J. P. (2019). Aspectos nutricionais e tecnológicos do bacuri e seus derivados. Revista Brasileira de Fruticultura.
- Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). O bacuri e seu valor na cultura alimentar amazônica.



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